quarta-feira, 30 de abril de 2008

Se o erro não fosse humano
Se as tardes fossem sempre de outono
Se o sexo fosse profano
Se o vício fosse sempre um suplício
Se o princípio deixasse de ser início
Se amar não passasse de sacrifício
Se olhar no espelho fosse sempre narcisismo
Se todo ser se utilizasse do cinismo
Se toda pintura fosse cubismo


Se a sua vida fosse um eterno sofismar
Se o outro só soubesse trabalhar
Se para trás você em nenhum momento fosse olhar
Se tudo na vida lhe bastasse só de olhar
Se a jornada estivesse restrita ao ato de caminhar
Se os jardins sem rosas fossem ficar...

Um dia desses eu vou terminar o que não começei
olhar com carinho aqueles que, com indiferença tratei
contornar a esfera dos meus anseios
suspirar diante dos seus olhos ao dizer não
recobrar a loucura de uma mente em profusão
passar os dias quem sabe segurando a sua mão.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Planos para amanhã
Sonhos para uma vida inteira
Alguém cansou-se de esperar
Na discórdia dos desejos
Senti você saltar.

Não era um jardim
Tão pouco corredor
Manhã de frio
Nem tarde de calor

Pequenos vícios
De qualquer cidadão
Pequenas farpas
Que fazem
Você andar
na contramão.

Manhãs de sonho
noites de pesadelo
ontem queria ser jogador de futebol
hoje não passa de um pedreiro.

Mas o vício é um alento
sucumbindo o tormento
anestesiando o pensamento
vertendo em risos o lamento.

Quando não há motivos para devanear
quando asas são uma mera lembrança
de uma criança tentando imitar
pássaros no ato de voar.

sábado, 5 de janeiro de 2008

O amor e o outro

Não amo
melhor
nem pior
do que ninguém.

Do meu jeito amo
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.

Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.
Affonso Romano de Sant'Anna

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Porque eu perdi o verso
mas não foi por isso
o motivo desse nosso retrocesso
mas o trem parou na linha enquanto
você dormia e toda a minha vida esvaia-se.

Já era tarde para pensar
mais ainda para argumentar
sem saber o que falar
deixei o silêncio implodir um coração vazio
a dor sucumbir-se na lembrança de um corpo inerte e frio.

Todas as palavras não ditas, sentimentos perdidos
todo amor esquecido nesse rio que é a vida
sua face fria na nascente dos seus anseios
perdeu-se em meio ao outono dos desejos
como folhas que cair-se-ão.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Planos para amanha
Sonhos para uma vida inteira
Alguém cansou-se de esperar
Na discórdia dos desejos
Senti você saltar.

Não era um jardim
Tão pouco corredor
Manhã de frio
Nem tarde de calor

Pequenos vícios
De qualquer cidadão
Pequenas farpas
Que fazem
Você andar
na contramão.

Manhãs de sonho
noites de pesadelo
ontem queria ser jogador de futebol
hoje não passa de um pedreiro.

Mas o vício é um alento
sucumbindo o tormento
anestesiando o pensamento
vertendo em risos o lamento.


Quando não há motivos para lamentar
quando asas são uma mera lembrança
de uma criança tentando imitar
pássaros no ato de voar.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Encontrei os inconsequentes brincando de destruir correntes
em masmorras e outras fortalezas mouras
no tinir do aço que estremece as entranhas
caminhei entre eras
alimentei ilusões em noites ébrias
revirando escombros encontrei flores
quando acordei, já era dia.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Ainda bem que eu nunca joguei.
O cabelo loiro nem sempre é natural
E já não há mais como distinguir o que é seio ou silicone
O couro também pode ser napa
E a desculpa uma enganação
A placa não te leva ao destino
Se você andar na contra-mão.
A vida não é simples
Mas é possível...
Isso deve bastar!

A vida em si jogo perigoso,
o jogo em si ato ardiloso.
Às vezes nem o sorriso é despido de disfarce,
que dirá o busto erguido,
contemplando cenas diferentes em contextos semelhantes.
A que se arrancar o couro do ser que trabalha.
Afinal diante de muitos dias pela frente e nenhum vintém à vista,
não há desculpa que engane o estômago tão pouco o coração.
A caminhada conduz para um lugar, mesmo em outra direção,
porém ainda não soube de placas que guiem o músculo cardiáco não sempre tenaz.
Michele e Sinara